Que a vida parou, todos sabem. Estranho mesmo é a oscilação de significados que essa afirmação pode receber. Aqui, por exemplo, não me refiro apenas às milhares de mortes diárias, mas a um aspecto que está mais no campo do simbólico e que é, portanto, subjetivo. Porque a vida parou (porém) em movimento. Mesmo aqueles que conseguirem sair com os menores danos, nunca mais serão os mesmos, ainda que se esforcem, pois nesse caso não se trata de uma escolha individual: tudo está diferente e igual ao mesmo tempo. Seguimos flutuando nesse rio de novas incertezas que foram adicionadas ao percurso.
Baú de Memórias
Ultimamente o tempo está suspenso. É difícil delimitar o início e o fim das coisas. Não é raro me pegar numa mesma posição, imóvel, horas a fio (se fosse possível, seriam dias, certamente), sem perceber. Na verdade, a sensação é de imobilidade, mas nunca estou realmente sem fazer nada – as olheiras denunciam – nunca mais descansei. Está tudo meio automático, nós não estamos mais aqui , ficamos por aí, no refúgio de algumas lembranças. E é inevitável, em tempos como esse, ficar . É inevitável pensar no passado.
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